domingo, 24 de outubro de 2010

Diálogos sobre educação, ou um Pum para os otimistas de plantão

Certo amigo me contou que, recentemente, sua professora de Didática Aplicada, depois de discorrer sobre um assunto sem muita significância, como é característico de quase tudo que se faz nesta área – já disse, tentou preencher o tempo restante – outra aula – com a demonstração altamente relevante de como se deve apagar uma lousa. Uma cena patética para quem foi a faculdade crescer em conhecimento. Falou-me também que essa mesma pessoa havia relatado sua decepção com aqueles que afirmam não atingir seus alunos, fazê-los aprender. Acusou-os de incompetentes!
Transtornante! A verdade cambaleia como um bêbado; desculpem-me os bêbados. Não se pode mais esperar melhoras. Estamos fadados ao fracasso, à manutenção de um faz de conta nacional, estadual, municipal, individual, au au au... E a galera grita: ho ho ho ho...
O fato, hilário, ocorreu na tentativa de se preencher o tempo com algo; pois, naquela faculdade, tem-se que cumprir o horário. Nada de alunos saindo antes da hora, e nada de alunos fora da sala. Um tratamento infantil para com os alunos secundaristas enganados pelo sistema de cotas, pelo ENEM, e pela própria rotina de superação que eles admitiram ao longo de suas vidas estudantis. Vejam onde estamos! A desordem de que falo sempre já chegou às faculdades. Vão acabar com elas!
Até quando vão continuar com esse discurso demagógico de investimento em educação, se o problema não reside nisso. O teu povo, ó Pátria Amada, não gosta de estudar! Ir à Escola, sim; estudar, não. Tente ensinar e descubra!
O próprio líder do movimento estudantil desta faculdade, como o é nas outras, que luta até pelo aumento da carga horária, não as assiste. Conclusão: ele é de esquerda, e teste para ele não é uma forma de avaliar. Lógico! Se for, vão descobrir o engodo.
É uma farsa, minha gente! E só estou dizendo isso porque não almejo nenhum cargo de chefia na educação e porque me recuso a não ver a verdade dos fatos. Não posso me dar ao luxo de enveredar-me pelos caminhos praticados pelos pedagogos dentro das escolas públicas. Já dizia a Bíblia: Não coma de seu fruto! Se comeres, morrerás! Para os aspirantes a aplausos, é um bom caminho.
Quando digo que os alunos secundaristas são enganados, não estou culpando ninguém a não ser eles mesmos. Cola, chantagem emocional, desculpas esfarrapadas, ou mirabolantes, somadas ao não estudar e apoio imparcial dos pedagogos de plantão fazem com que escola seja tudo, menos lugar de troca de saberes. E nem gosto desta expressão. Troca de saberes? Que troca de saberes? Troca implica em que fique com o que é seu, e você com o que é meu. Hahahahaha...
E nós professores somos acusados diariamente. Há uma máxima que se diz: Os alunos são o espelho dos professores. Uma frase de efeito puramente patronal e escravagista. Deixem-me dizer-vos a verdade: Os professores são, ou tornar-se-ão, o espelho dos alunos.
Precisamos nos capacitar urgentemente. Opa! Não, esse não é o nome certo. Precisamos nos salvar urgentemente! Precisamos estudar e continuar estudando, pois estamos tendo que descer o nível de uma forma tão drástica que estamos definhando intelectualmente.
Já notaram o nome dos cursos que se dão aos professores? Capacitação e reciclagem. Isso reflete, sem demagogia, o que se pensa sobre nós. Somos incapazes e lixo. Mas, o bom, podemos ser reaproveitados.
Deixa estar. Rios de dinheiro serão derramados na educação, e quero melhor salário, pois preciso me salvar.
Um outro colega meu teve um freezer com problemas. Não gelava, mesmo com o motor funcionando. Foi a um técnico, este em refrigeração, não pedagógico, e foi proposto a compra de um novo motor. Meu colega comprou o motor mesmo sabendo que o problema não era com ele. Mas, sem titulação na área, acatou. O motor foi trocado, custou R$ 350,00. O problema persistiu. Ele não tinha o título, mas tinha a compreensão.
O governo vai continuar a trocar motores e mais motores sob a indicação da prática pedagógica libertária de tudo que é bom e honesto, e vai fazer vista grossa a essa máfia educacional que presa por resultados fraudulentos, e nada mudará. O nosso povo, eis o problema!
Não venham com essa de povo cortês e guerreiro. Sabem quantos recebem indevidamente os recursos do governo? Muitos! Sabem quantos matriculam seu filhos dizendo que são agricultores, os pais, para se aposentarem como tais? Muitos! Sabem quantos conhecem uma enxada, o trabalho na roça? Poucos! Não se pode ensinar a espertos, eles sempre seguem a política do atalho com vantagens!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Biblioteca Virtual do Sesi, ou Essa Lan House Grátis.

Eu me sinto incomodado com minhas próprias observações.
A pouco, em minha cidade, Limoeiro (Pernambuco), foi levantada uma biblioteca virtual. Uma parceria do Sesi com alguém mais, não sei. Tinha muito político tipo abutre na carniça.
Como sou educador, deixe-me dizer, sou educador, venho tentando passar meu recado. É aí onde entra o desconforto! Eu sabia, desde o dia que me disseram sobre a criação da biblioteca citada acima, que ele seria apenas um ponto de acesso a sites de relacionamento e outras coisas nocivas. Com certeza, fui execrado! Como pode um educador não acreditar nas ações em prol da aquisição do saber? Eu disse e está provado! Coitados dos funcionários da referida biblioteca! Já começaram os desabafos: "Não temos como parar isso", "Não tem como evitar" é o que dizem no tocante aos alunos que para lá se dirigem. Hehehehehe... Perdão.
Um dia desses uma das atendentes precisou reclamar com um aluno que estava vendo vídeo pornô no computador que fica logo na entrada. Nem se deu ao trabalho de procurar um lugar menos exposto. Isso é apenas um dos casos!
Poucos livros! Para que livros numa biblioteca virtual? Quem vai ali não vai pesquisar nada significativo. Por favor, não venham me encher a paciência com as exceções. Sei como é. Vivo dentro de escolas. Sou professor!
Que tal trocarmos as coisas? Perfect World no lugar de Matemática. Fifa 2010 no lugar de Português. Depois, colocamos tudo no papel como um projeto fraudulento, desses que as escolas estão cheias, e posamos para as fotos.
Só espero, aliás, não espero, não vejo como, nem de onde possa surgir alguém que possa devolver aos professores o direito de dizer que este não sabe e este sabe. Que pecado cometi agora! Estou envergonhado! É melhor que me volte para minha insignificância e deixe a alegria acontecer. Todos podem ser felizes! Eu é que quero atrapalhar com minha matemática.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Atividade Cerebral e o Lúdico


Houve um tempo em que nós, seres humanos - ainda podemos nos chamar assim, éramos lúdicos. Quando digo lúdicos, me refiro a utilizar-se de jogos, imagens, coisas concretas, se é que se pode acrescentar algo mais. Nossos antepassados sabiam se comunicar por figuras. Olhem as inscrições das cavernas. Mas, crescemos. Descobriu-se o código escrito. Palavras puderam ser formadas e levar leitores a viajar por um mundo vasto e interior.
Hoje, infelizmente, observo que essa capacidade se vai perdendo. Observo os livros, as propagandas, os programas de televisão, e tudo tem que ser muito lúdico. Qual a razão para tamanha busca pelas raízes ancestrais? Ou a ruptura nunca houve? Pensei por um tempo que o que nos tirou dos grunhidos primitivos, das cavernas, e de pauzinhos nas paredes de cavernas, animais com traços infantis - grande para época, tivesse sido a atividade intelectual. De curvados a eretos.
Massa cefálica em uso, não cinza por mofo.
Saí de casa um dia e dei de cara com um colega de profissão. Andar, dele, altivo daqueles de cabeça em pé, olhos ao horizonte para não avistar ninguém inferior. Hehehehehe... Não resisto ao riso. Hehehehehe...... Sabia o motivo daquilo, era o fenômeno acontecendo de novo. De homo erectos para homo sapiens. De homo sapiens para homo esticadus.... Hehehehehehe....
O que a atividade intelectual pode fazer com um homem! Sabe, muitos são assim. Passaram por uma faculdade sem uso do cérebro. Leram poucos livros - e não entenderam nada. Converso com eles. Nada sabem sobre isso ou aquilo. Quando pela primeira vez tiveram uma atividade sísmica cerebral citando outros numa monografia, se tornam superiores. Hehehehehehe..... Entendo....
Mas, temo que todos sejam atingidos por isso. Há uma disposição generalizada de que o lúdico invada as escolas. Estarão destruindo a educação. Vejam as propagandas: Aprendam xadrez e isso melhorará sua aprendizagem em matemática, dizem. Mentira, só vê matemática no xadrez que já a vê de olhos limpos. Sei disso! Os livros estão cheios de gravuras tentando reconstruir o caminho perdido da caverna até aqui. Não se abstrai mais.
Sabe qual a melhor coisa a fazer? É que me cale e faça um desses projetos lúdicos também. Aí todos ficarão felizes. Posso até ir para tv. Meus alunos, programados, darão entrevistas e eu escreverei na revista Nova Escola. Por fim, terminarei fora de sala de aula para dar palestras de como sair de lá também. Opa! Desculpe! Palestra de como ser lúdico e ensinar a desenhar novamente nas paredes das cavernas, pixar muros, mas com celular e câmeras de 12 megapixels ao lado. Ah, celular com tv e dois chips!
Sim, ia me esquecendo, o amigo que pousou para foto, lá em cima a esquerda, é formado e pós-graduado em pedagogia em alguma dessas faculdades por aí.
Lúdico, não?