quinta-feira, 1 de abril de 2010

Atividade Cerebral e o Lúdico


Houve um tempo em que nós, seres humanos - ainda podemos nos chamar assim, éramos lúdicos. Quando digo lúdicos, me refiro a utilizar-se de jogos, imagens, coisas concretas, se é que se pode acrescentar algo mais. Nossos antepassados sabiam se comunicar por figuras. Olhem as inscrições das cavernas. Mas, crescemos. Descobriu-se o código escrito. Palavras puderam ser formadas e levar leitores a viajar por um mundo vasto e interior.
Hoje, infelizmente, observo que essa capacidade se vai perdendo. Observo os livros, as propagandas, os programas de televisão, e tudo tem que ser muito lúdico. Qual a razão para tamanha busca pelas raízes ancestrais? Ou a ruptura nunca houve? Pensei por um tempo que o que nos tirou dos grunhidos primitivos, das cavernas, e de pauzinhos nas paredes de cavernas, animais com traços infantis - grande para época, tivesse sido a atividade intelectual. De curvados a eretos.
Massa cefálica em uso, não cinza por mofo.
Saí de casa um dia e dei de cara com um colega de profissão. Andar, dele, altivo daqueles de cabeça em pé, olhos ao horizonte para não avistar ninguém inferior. Hehehehehe... Não resisto ao riso. Hehehehehe...... Sabia o motivo daquilo, era o fenômeno acontecendo de novo. De homo erectos para homo sapiens. De homo sapiens para homo esticadus.... Hehehehehehe....
O que a atividade intelectual pode fazer com um homem! Sabe, muitos são assim. Passaram por uma faculdade sem uso do cérebro. Leram poucos livros - e não entenderam nada. Converso com eles. Nada sabem sobre isso ou aquilo. Quando pela primeira vez tiveram uma atividade sísmica cerebral citando outros numa monografia, se tornam superiores. Hehehehehehe..... Entendo....
Mas, temo que todos sejam atingidos por isso. Há uma disposição generalizada de que o lúdico invada as escolas. Estarão destruindo a educação. Vejam as propagandas: Aprendam xadrez e isso melhorará sua aprendizagem em matemática, dizem. Mentira, só vê matemática no xadrez que já a vê de olhos limpos. Sei disso! Os livros estão cheios de gravuras tentando reconstruir o caminho perdido da caverna até aqui. Não se abstrai mais.
Sabe qual a melhor coisa a fazer? É que me cale e faça um desses projetos lúdicos também. Aí todos ficarão felizes. Posso até ir para tv. Meus alunos, programados, darão entrevistas e eu escreverei na revista Nova Escola. Por fim, terminarei fora de sala de aula para dar palestras de como sair de lá também. Opa! Desculpe! Palestra de como ser lúdico e ensinar a desenhar novamente nas paredes das cavernas, pixar muros, mas com celular e câmeras de 12 megapixels ao lado. Ah, celular com tv e dois chips!
Sim, ia me esquecendo, o amigo que pousou para foto, lá em cima a esquerda, é formado e pós-graduado em pedagogia em alguma dessas faculdades por aí.
Lúdico, não?

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